Por: Ana Julia Prates Dorneles e Helana Maciel Araújo
Atualizado em: 29/09/2025
Tempo de leitura: 6 minutos
Setembro foi um mês intenso para o comércio exterior do Brasil. De um lado, os números da balança mostraram que as exportações ainda enfrentam dificuldades. De outro, tivemos avanços diplomáticos, medidas de apoio do governo e programas que dão mais espaço para pequenas empresas no cenário internacional.
Como ficou a balança comercial?
De acordo com dados oficiais do governo, até a terceira semana de setembro:
- Exportações: US$ 19,94 bilhões (queda de –2,0% frente a 2024);
- Importações: US$ 17,56 bilhões (alta de +5,1%);
- Saldo comercial: US$ 2,38 bilhões (redução de –34,3%);
- Corrente de comércio: US$37,49 bilhões (alta de +1,2%).
Isso significa que o Brasil vendeu menos ao exterior do que no mesmo período do ano passado, enquanto aumentou suas compras de fora. O resultado é um superávit menor — ou seja, o país ainda exporta mais do que importa, mas com folga bem reduzida.
Exportações tentam se recuperar
As vendas externas brasileiras foram muito afetadas pelo chamado “tarifaço” dos Estados Unidos, que elevou impostos sobre diversos produtos. Agora, há sinais de recuperação, mas as empresas ainda sentem o peso da adaptação: precisam buscar novos mercados, rever contratos e arcar com custos logísticos mais altos.
Receita Federal lança medidas de alívio
Para reduzir esses impactos, a Receita Federal anunciou medidas dentro do Plano Brasil Soberano. Entre elas:
- Possibilidade de adiar o pagamento de tributos federais;
- Prioridade para restituições fiscais;
- Orientações para facilitar o acesso a benefícios emergenciais.
Na prática, essas ações dão mais tempo e fôlego no caixa para empresas que tiveram perdas com as tarifas.
Sobretaxas retiradas em parte
Um sinal positivo veio do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC): os EUA retiraram a sobretaxa de 10% e a tarifa extra de 40% sobre produtos como celulose e ferro-níquel. Essa decisão pode ajudar a recuperar embarques desses setores, que estavam praticamente parados.
Diplomacia em movimento
O governo brasileiro também deu um passo firme na frente diplomática: notificou formalmente os EUA e iniciou consultas oficiais para reagir às tarifas de 50% ainda aplicadas sobre outros produtos. Caso não haja acordo, o Brasil poderá adotar contramedidas econômicas. Essa postura busca equilibrar as negociações e proteger a indústria nacional.
Exporta Mais Brasil apoia pequenas empresas
Nem só de desafios foi feito o mês. O programa Exporta Mais Brasil, da ApexBrasil, chegou à sua 40ª edição. Até agora, promoveu 1.560 reuniões de negócios, com expectativa de movimentar cerca de R$ 112 milhões em exportações.
O destaque é a participação das pequenas e médias empresas (PMEs), de setores como moda, alimentos, tecnologia e máquinas. Isso mostra que cada vez mais negócios menores conseguem encontrar oportunidades no mercado internacional.
O que fica de setembro
O balanço de setembro mostra um comércio exterior em transição: exportações ainda em recuperação, importações em crescimento e negociações intensas com os Estados Unidos.
Ao mesmo tempo, medidas de apoio do governo e programas como o Exporta Mais Brasil apontam para um futuro mais diversificado, em que empresas de diferentes portes e setores podem ganhar espaço no cenário global.
Estar atento às movimentações do comércio exterior é essencial para tomar decisões estratégicas e é exatamente isso que a F5 faz por você. Seguimos acompanhando de perto as atualizações globais para transformar informação em oportunidades e manter o seu negócio sempre à frente.